Há pouco escutei de um grande amigo, aqueles da mais tenra infância: “Larga o Orkut e entra no Face”, no que respondi: “ORKUT já da um trabalho ”danado”, raramente o uso e não tenho condições de criar e gerir mais um perfil em sites de relacionamento.” No que replicou: “Você ta afastado... Entra no mundo!!” Foi a partir daí que o dialogo se aproxima da filosofia a qual repouso em seu leito como seu mais fiel amante. Inquietou-me...
“O convite foi para entrar em qual mundo?? Afastado de que??”
De fato vivemos em um mundo onde as pessoas, cada vez mais, se apresentam de forma carente, exibindo relacionamentos supérfluos e com grande necessidade de exposição.
No que tange à carência, este sentimento se apresenta de forma clara, mas ao mesmo tempo mascarado com uma grande sutileza. E a carência é tão carente que ela sempre se mostra acompanhada e de mão dada com sua super irmã “exposição”.
É preciso que a pessoa seja notada mesmo que através do TWITTER com frases do tipo: “Oi pessoal, acabei de acordar e estou escovando os dentes”- ... que informação mais desnecessária...Sim desnecessária, mas ainda assim existem outras que além de totalmente descartáveis são deselegantes. Imaginem: “Oi pessoal, acabei de acordar e estou fazendo meu exercício intestinal”. Certeza que não me surpreenderia com frases desse tipo.
Cresci ouvindo e aprendi com a experiência que amigos nós temos pouquíssimos. Sim, mas de repente minha afirmação pode parecer estranha aos ouvidos dos mais tecnológicos, uma vez que para se ter um amigo hoje basta enviar um convite de alcunha “add” e clicar em aceitar. São bons amigos para esse mundo. Volta a pergunta inicial... Que mundo???? Respondo que são bons amigos para um mundo onde as pessoas perderam a habilidade de se relacionar e na maior parte só a fazem virtualmente.
Reflitam AMIGOS em uma situação hipotética: Imaginem que ao andar no centro de Belo Horizonte, te aborde uma pessoa e te pergunta: “Posso ser seu amigo??”. Estranho né... Se você é uma mulher e fosse um homem a te abordar provavelmente você pensaria que se trata de uma cantada, ou que daí vem um convite para participar de um filme pornográfico. Isso se o homem for do tipo atraente e isso se você for uma mulher bonita e tiver um “corpão” , pois nesse mundo também imperam padrões estereotipados de beleza. Se você for uma mulher e te aborda um homem, nem tão atraente que o do exemplo anterior, provavelmente você acharia que se trata de um assalto. Se você ainda é uma mulher e te aborda uma outra, teria espaço na sua imaginação, que poderia tratar-se de um seqüestro e que você deveria se livrar daquela situação o mais rápido possível para não acordar, depois de três dias, dentro de uma banheira cheia de gelo e sem um rim ou uma córnea. Ahhhh, mas rins e córneas nós temos aos pares , não é? Qual o problema de perder um?
No exemplo anterior e se você é um homem e te aborda outro homem logo se pode imaginar que se trata de um homossexual carente em busca de prazeres desse mundo e se é uma mulher que te aborda logo você pode pensar que é alguém te oferecendo prazeres desse mundo em troca de dinheiro. Mas não estranhamos quando um “estranho” nos convida para ser amigo no FACE (e assim que se fala, não é?)e tão prontamente aceitamos o convite.
Acho que esse mundo é o mundo da desconfiança... dos relacionamentos virtuais. Se juntar com a carência, com o supérfluo e com a super exposição, começo a responder a primeira questão.
Finalizando gostaria de colocar meu ponto de vista que o problema não é a internet, mas sim o uso que se faz dela. O problema não são os sites de relacionamento, mas eles contribuem para que nos comportemos cada vez mais de forma esquizofrênica.
Então meus amigos não me entendam mal e não pensem que tenho más intenções quando lhes perguntar pessoalmente “se posso te seguir”.
Você já pensou no quão estranha é a sua vida "REAL"?