
Segundo Meyer ( 1990 ), para que uma terapia seja considerada comportamental é necessário que ela apresente níveis de análises essenciais que se encontram no nível metodológico, a análise funcional do comportamento, no nível conceitual, o conhecimento e a aplicação dos princípios do comportamento, e no nível filosófico, pelo menos a rejeição ao mentalismo.
A partir da década de 80, principalmente com os trabalhos de Kohlemberg e Tsai, os terapeutas comportamentais passaram a considerar o encontro entre terapeuta e cliente como uma importante variável no processo terapêutico e começaram a dar uma maior ênfase nessa relação. Anteriormente a esses pioneiros, o ambiente terapêutico era considerado de forma distinto do ambiente natural do cliente.( Cirino & Velasco, 2002 )
Kohlemberg & Tsai ( 2001 ), afirmam que, a partir de então, a terapia comportamental centra-se na relação entre o cliente e o terapeuta e que nessa interação são modelados novos comportamentos, além, de promover mudanças tanto em um quanto em outro.
Quanto melhor a qualidade dessa relação maior serão as mudanças alcançadas, pois muitos dos comportamentos inadequados ( queixas ) do cliente, e suas melhoras ocorrem dentro do setting psicoterapêutico como produtos dessa relação, e melhor será também a análise do terapeuta e mais eficiente será o processo para ambos.
Assim sendo, a relação construída através da interação dos envolvidos é que se torna alvo da psicoterapia comportamental. ( Cirino & Velasco, 2002 ).
Torna-se importante que não só o comportamento do terapeutizando seja analisado, mas também o comportamento do terapeuta procurando-se entender a função de cada um dentro da sessão. O Terapeuta não se apresenta nesse momento de forma neutra, pois, dentre outras coisas, é este que fornece ao cliente reforçadores. “Toda atitude do terapeuta, na relação com o cliente, tem influências sobre este que podem ser benéficas ou não.” ( Cirino & Velasco, 2002, pg 41 ).
Uma outra autora, Meyer ( 1990 ), afirma que o terapeuta deve estar sensível às contingências presentes naquele momento do processo terapêutico.
A relação terapêutica tem um caráter dinâmico, pois a cada momento é modificada pelos comportamentos do cliente e terapeuta, gerando novas contingências e constituindo novas relações.
Diante disso, Cirino & Velasco ( 2002 ) afirmam que terapeuta e cliente devem trabalhar juntos e quanto mais o primeiro conhecer do segundo maiores serão as chances de mudanças efetivas.
Não são raras as críticas direcionadas aos analistas do comportamento, e uma delas, é que estes são frios e distantes. Segundo Lipp (1995), é verdade que podemos encontrar analistas do comportamento com esses adjetivos, assim como podemos encontrar psicanalistas, existencialistas, e outros apresentando as mesmas características. “Tais características pertencem mais ao âmbito pessoal do que o da terapia comportamental. O terapeuta trabalhando na abordagem comportamental em geral é amigável e genuinamente interessado na pessoa do paciente.” ( Lipp, 1995, pg 113 ).
Cirino & Velasco ( 2002 ) afirmam que a relação terapêutica é uma relação de entrega e será o “calor” dessa interação que determinará um melhor ou pior andamento do processo.
Segundo Villani ( 2002 ), os comportamentos do terapeuta devem perpassar pela cordialidade e afetividade, para que o processo terapêutico se dê em um contexto agradável. O mesmo deve demonstrar interesse genuíno, para que não caia na artificialidade, aceitação incondicional, compreensão e apoio à pessoa do cliente.
A atitude do terapeuta comportamental deve ser cordial quanto ao paciente, tendo em vista que ele é um ser humano semelhante a ele e que qualquer superioridade técnica do terapeuta é algo muito específico que não transcende a relação terapêutica. ( ... ) é fundamental que o terapeuta tenha, no mínimo, apreço pelo paciente e respeite a sua individualidade.( Lipp, 1995, pg 115 )
Em concordância com a autora, Velasco & Cirino ( 2002 ) afirmam que o terapeuta comportamental deve eliminar da relação julgamentos de valores, punições e críticas, atitudes essas que são fundamentais, para o sucesso da relação terapêutica.
Os mesmos autores, continuam, dizendo que o processo psicoterápico se define pela existência de duas pessoas que falam e propõem soluções para os problemas de uma delas, o cliente. Esta relação requer intimidade, cuidado, respeito, confiança, cumplicidade e sinceridade. ( Cirino & Velasaco, 2002, pg 41 ).
Villani ( 1995 ) afirma que deve haver uma relação bilateral de empatia, um vinculo de confiança e um sentimento de parceria.
É importante também, de acordo com Lipp ( 1995 ) que o terapeuta comportamental, esteja ele mesmo em processo psicoterapêutico, para que possa assim se encontrar emocionalmente bem para fazer seu trabalho de forma adequada, além de, poder vivenciar e entender o processo terapêutico.
Villani ( 2002 ) também chama atenção para essa questão, uma vez que em processo terapêutico, o analista do comportamento pode promover aquisições e melhorias de repertórios comportamentais, como assertividade e equilíbrio emocional.
Uma outra questão importante é que na terapia comportamental as metas são explicitas e todos os objetivos terapêuticoas são discutidos com o cliente e é este, e sempre este quem determinará quanto e quando é a hora de mudar.
Contrário ao que muitos alegam não cabe ao terapeuta comportamental o estabelecimento de objetivos, mas sim auxiliar o paciente a ser mais específico em sua queixa que, na grande maioria das vezes, é muito geral, a fim de que os objetivos possam ser formulados.( Lipp, 1995, pg 113 ).
As metas devem ser estabelecidas conjuntamente pelo terapeuta e o cliente e devem ser periodicamente avaliadas, podendo ser alteradas ao longo do processo, de acordo com as novas contingências que forem se constituindo a partir da relação mantida por ambos, e será a qualidade desta relação que determinará a aceitação, a adesão e a confiança do cliente ao longo de todo o processo terapêutico. ( CIRINO & VELASCO, 1995, p 41)
Lipp ( 1995 ), diz que o terapeuta deve abrir um leque de opções de decisões para o indivíduo, para que dessa forma aumente as opções de ação do cliente. É valido ressaltar novamente que estas decisões devem ser do cliente, e sempre analisar as consequências positivas e negativas de cada uma das opções.
A terapia comportamental age assim no sentido de oferecer ao ser humano mais poder sobre seu próprio comportamento, e, consequentemente, aumenta seu livre-arbítrio. Deste modo pode-se garantir que a Terapia Comportamental contribui para aumentar a liberdade pessoal e produzir maior bem-estar ao ser humano. ( Lipp, 1995,pág. 112 )
PARABÉNS A TODOS OS PSICÓLOGOS PELO SEU DIA!!
Bibliografia
CIRINO, S.D; VELASCO, S.M. A relação terapêutica como foco da análise na prática clínica comportamental. In: Ciência do Comportamento: conhecer e avançar- vol1- ESETec, São Paulo, 2002.
KONLENBERG, J.R. & TSAI, M. FAP- Psicoterapia Analítica Funcional: Criando Relações Terapêuticas Intensas e Curativas. São Paulo: ESETec, 2001.
LIPP, M. N. Ética e psicologia comportamental. In B.P. Rangé ( org. ), Psicoterapia Comportamental e cognitiva. Pesquisa, prática, aplicações e problemas. Campinas, editorial Psy, 1995.
MEYER, S. B. Quais os requisitos para que uma terapia seja considerada comportamental? Universidade São Judas Tadeu. 1-4, 1995.
VILLANI, M. C. S. Considerações sobre o desempenho do terapeuta comportamental. In: A. M. S. Teixeira ( org ) e outros, Ciência do comportamento: conhecer e avançar.- vol1- ESETec, São Paulo, 2002.
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